TUGAZOMBI

cadáver semi-frio com cereja na terceira narina

sexta-feira, janeiro 06, 2006

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escrevo a cear-te os átomos por saudade curva
doem-me as mãos de procurar granadas mínimas

a língua viaja pelo
mármore azedo – amêndoa
… desejo-a nos dedos

ouço turbinas no arcabouço veloz
ao lamber mucosas
e leio fundo nos tendões o verbo frígido
a engrandecer esse coito salivante das canoas febris
sob o artifício nascente de casulos luminosos

refazer-me-te praia daquela tarde
garças garganteiam-te o umbigo eruptivo
onde se aninha o precipitado coágulo violáceo
das marés inconfessas

abre-me válvulas
reata-me pérolas forradas a carne

e pensar que o coração é uma noz
um pedaço de mar aberto
à boca da cama

flutuante se me soluça o corpo
ao colher sementes na rouquidão nocturna
localizar-te nesse instante
em que a maré alta se confunde com o pólen
roubado à infância

os peixes beijarão a guilhotina
e não morderás a culpa que me veste de mar
nem tresloucarás a sede dos olhos que trespassam

o coração do cardume
Porfírio Al Brandão
in episódios

7 Comments:

Blogger Flor said...

uma viagem ao oceano...
há algumas palavras que me são desconhecidas neste magnifico poema..mas não é o sentido do que se lê que deve ser sentido?
adoro vir aqui desde que descobri este blog!
Bom fim de semana

2:20 da tarde  
Blogger solitarylagoon said...

el sentido de lo sentido.. sentires

2:35 da tarde  
Blogger Pinto Ribeiro said...

ora boa tarde desde ontem.

3:36 da tarde  
Blogger TMara said...

Bom f.s Bjs e :)

11:05 da tarde  
Blogger Mendes Ferreira said...

UM EPISÓDIO QUE VALE A PENA REPETIR. ESTE TEU. INSTANTE.

BEIJO PORFÍRIO.

1:48 da tarde  
Blogger petitechine said...

a vida é uma sucessão dos episodes... poucos deles se guardam no coração...aqueles que a memória não rejeita.

4:47 da tarde  
Blogger Mendes Ferreira said...

B.E.I.J.O.

10:40 da manhã  

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