TUGAZOMBI

cadáver semi-frio com cereja na terceira narina

quarta-feira, maio 10, 2006

ACOLÁ DO QUE AQUI MORRE

acolá – tanto se lhe deu como jamais lhe irá dar
é esta a glória subversiva dum jorro quente
paraíso minúsculo do albatroz construído peça a peça
com animalesca imaginação de risco a perpassar
o sonâmbulo pano que vai apagando arabescos
de pó e ícones fulcrais gravados a pólen de anjo

acolá – algures nas profundezas dum rio raso
despovoado pela concreta animalidade bocal
que aboca os peixes desamparados em frases ocas
sombras irreais a subsistirem de medusas loucas

acolá – nada se fez igual ao que se aparenta
e se desloca em perseguição pois é ignóbil
a razão que raia nos meatos por nós criados

acolá – creio que acolá para lá do onde
acolá do que aqui morre

Porfírio Al Brandão
in O Príncipe Nu
Palimage editores 2002

2 Comments:

Blogger Mendes Ferreira said...

ignóbil a razão. que não é. mas parecia.
excelente a tua. que é.
aqui.

beijo.

sempre.

9:59 da manhã  
Blogger petitechine said...

aqui para aqui do onde aqui vive do que morre lá acolá

11:07 da manhã  

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